Tempo de ter tempo

October 1st, 2006 by lady in green Leave a reply »

Para fazer tudo, é preciso tempo.
Para fazer qualquer coisa, é preciso tempo.
Até para não fazer nada é preciso tempo!

E se a isto juntarmos a indiscutível velha máxima do “time is money“, arrisco a concluir que o tempo talvez seja, actualmente, o bem mais precioso e escasso do (meu) Mundo. Aliás, atrevo-me a admitir que neste momento.. e em boa verdade, sinto-me profundamente “rica em sonhos e pobre, pobre em tempo“.

É impressionante como há, de facto, coisas que só se valorizam quando não se têm. E o tempo é uma delas. De repente, parece que vivo com uma nova sofreguidão. Das pessoas, das coisas, dos momentos, de mim. Como se me pudessem fugir. Ou como se tivessem de ser encaixadas numa espécie de agenda virtual e infalível, sob pena de se ‘perderem‘.

Não acho que seja mau: nem darmos mais valor às coisas, aos momentos e às pessoas, nem aprendermos a organizar o nosso tempo de forma a ser mais bem gerido. Acho que o começa a ser no ponto em que cada milimétrico e involuntário desvio nos fustra.

Mas, como em tudo na vida (e de acordo com a minha opinião), a identificação do problema é o primeiro passo para a sua resolução. E aplicando o mesmo tratamento que se utiliza no caso das “fobias”, resolvi atirar-me logo de cabeça ao dar-me ao luxo de largar a meio o trabalho que estava a fazer para dedicar o tempo (que não me sobra) a escrever este texto no blog que já há dias chama por mim.

E sabem que mais? Concluo que se para parar é preciso ter tempo.. para se ter realmente tempo, às vezes também é preciso saber-se parar.

Advertisement

One Response

  1. mi chi green says:

    SEISCENTOS E SESSENTA E SEIS

    A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.

    Quando se vê, já são 6 horas: há tempo…

    Quando se vê, já é 6ªfeira…

    Quando se vê, passaram 60 anos…

    Agora, é tarde demais para ser reprovado…

    E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade,

    eu nem olhava o relógio.

    seguia sempre, sempre em frente …

    E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.

    Mario Quintana ( In: Esconderijo do tempo)

Leave a Reply